O QUEIMOR DE UMA BALA NO PEITO

 

aperta o maxilar desbotado contra

o lábio completando o hábito

de esconder as vogais

volta-se ao sussurro para

escapar de alguma pretensão

a frigideira sobre a trempe ainda quente

o retrato deitado sobre a mesa de canto sobretudo

a geladeira vazia que

já não fecha a conta do desperdício

somam outros fatores à viuvez

desregrada

o impacto da perda ressoou como um

perverso assassinato com o

queimor de uma bala no peito

TUA GRAÇA


flutua tua graça

de avessos

viadutos concretos

face

a face

à transposição de

fatos

era quase

medo

quem sou eu

para

duvidar

desse silêncio que

implica

em não pronunciar a graça

que flutua

do teu

ar

 

2020


o outro lado do amanhecer

contra o que me aturde puxar

pela garganta uma só

palavra que mude ou o silêncio

mais gritante

que iluda a mim mesmo

como alguém além

da fronteira da noite uma lua

tão pesada que

afunde no lodo do pântano

na minha vida

sem assunto houve um ano

que passou batido

Destaques

ATITUDE não quero ser ex de ninguém não quero ser morta como se eu fosse um bandido não tenho gênero meu número é ímpar   Direitos Autorais ...