ESTALO

 

estalar de dedos

(sigilo de contar o tempo)

rente à chuva basta iluminar a fresta

e a réstia de uma ínfima

explosão espoca como um flash

feixes de aparentes improvisos

assoviados pelo vento

do outono sob as unhas

húmus e fábulas

ou síncope de flautas no retrovisor

de vozes ou passagem a outro

hemisfério através dos poros

ou considerar em cada

gota de chuva vértebras

do contato súbito – fogo e chão

deveria o tempo da palavra

desossar os mortos

acrisolar lápides – mineral do esboço

a lápis sobre espelho

fluxo de chorume nos subterrâneos

inacessíveis curiosidade oca

é possível sincronizar o

a destempo

cardumes de búzios com

o tilintar de enxames de estrelas

DESCALÇO

 

avaliar andar descalço

têmpera de quem sente a terra

pelos calcanhares

subindo raízes aos cotovelos


tento ampulhetas de

não passar em branco

o limo confiscando pedras

os pés pisando frio

os haveres quando em quando

andar descalço conhece

paraíso no fazer parte

de uma cena de domingo


e as raízes subindo alcançam

o teto do sótão

onde eu durmo as noites

de verões escaldantes

a fim de pescar brisas mais

amenas


café eu só tomo de manhã…

cedo descer degraus e retomar

elementos de terra nos

pés descalços

Destaques

ATITUDE não quero ser ex de ninguém não quero ser morta como se eu fosse um bandido não tenho gênero meu número é ímpar   Direitos Autorais ...