FUMANDO EM PARIS
apanho um estampido do frasco de Bromil
bebo uma réstia de lua pingando na fresta
da telha
puta que o pariu! – Paris é logo
(atrás de mim o relógio funde-se com a
parede)
aqui
um caranguejo a milhas de mim
cheio
de ademanes
ri
anêmonas anônimas
vestem
anáguas de renda e sal
os barcos descansam da maré o período que
seja esperar
que
um segredo se despenhe em coser as redes
a minha tosse parece de vidro brilhar
relâmpagos e trovões convidam águas
a
bailar
no trapézio
lunar entre fluidos azuis
leio
a mão de uma cigana
e
sei
que
o fumo desse cigarro está
me
matando aos
poucos
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