CANÇÃO
DE VENTO
canção
de vento e cipós
no
ventre da floresta
olho
soterrado no umbigo
da
montanha
acordes
intangíveis para além
da
vertigem álibi do tropeço
o
ciscar de pedras e grifos
joeira
de celofane e
barbante
telúrico fauno elétrico
desposando
a vestal
simbólica
do viço
de
açúcar e losna – têmpera
do
sabor ao despejo
um
legado de heras e horas por
decifrar
o ócio
por
deleitar as sílabas
da
canção de vento
por
confiscar os ladrilhos
imersos
nas lágrimas históricas
dos
que forjaram
a
esperança dos bons tempos
a
floresta traduzida
sobressai
ao umbigo ao ritmo
ao
íntimo das possíveis vozes
em
coro distorcidas
acordes
e delírio
doce
é a maresia do balé migratório
sobre
o verde da vertigem
delicadamente
desfolhada
em
abismos de vagalumes e cicios
e
a canção desposada
imerge
no calendário d’outros
tempos
nunca decorridos