A REPETIÇÃO DOS DIAS 


todos os dias o mesmo ar se respira anodizado

pelos odores da cercania. as mesmas cores repetidas

aqui e ali entre os passos que seguem cegos as mesmas

trilhas compassadamente sistemáticos por saberem

o chão a textura da insônia matinal.

dos borrões ainda úmidos que enchem os pulmões

de vicissitudes e armações não programadas

distâncias a percorrer todos os dias

os mesmos passos sublinhados pela profecia de andar

a esmo cego feito um morcego diuturno e tácito

as mesmas sagrações dos dias que inundam de

lembranças o que ainda há pra ser dito o sacudir

das cores que às flores dão de pintar um jardim

em torno da casa onde insetos visitam ao redor

das flores suas manhas e minúsculas evidências.

há um intervalo no calendário abrindo porteiras e girais

pra esconder dúbias vontades permeadas de finais

felizes às vezes uns tropeços súbitos que se repetem

caprichosamente ao nascer de todos os dias. 

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