ALGUMAS PELA METADE
algumas peças em branco no meio dos papéis algumas
poesias inescritas no meio de gritos abafados
no meio de gestos abstratos o olhar voltado para o vazio
da janela encalçando a imagem daquela que
sob o merídio sol dobra a esquina e some no fumo
das descargas dos automóveis sem um gesto
sem um esboço de arrependimento súbito uma buzina
me desperta diante da janela que agora
fecho por desfecho irreparável
imparável no peito o coração acelerado à boca quer
saltar os pijamas sobre a cama revirada dão
conta do vazio do eco tardio da imagem daquela
dobrando a esquina no meio da fumaça
dão conta da rua que segue em branco esbarrando
algumas novidades ao longo e em meio
a fisionomias extraídas de um filme noir
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