MORTE SÚBITA

o corpo já não vive mais entre nós
os nós de uma teia os nus das vitrinas
as naus do pensamento diluído em algum momento
se rompeu uma porta que se abre à direita sem
claridade e sem permissão de ver porventura o corpo
já desvencilhado de nós paralelamente passeia
outras paisagens outros ruídos e cá entre botões
e rosários uma reza numa explosão de vozes
se repete em fatigados améns

ficaram a relação com a casa os rostos
as chaves na porta mechas vasos velas e um
amontoado de coisas por guardar ficaram
resquícios no tapete no sofá restos na cozinha a louça
por lavar o rádio ainda ligado baixinho
e o pior de tudo armários
cheios de silêncios e lembranças palavras
sem saliva no nó da garganta e entre os móveis
empoados as marcas da última chuva

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