CORPO PROVISÓRIO

o giro fora da lei especulando

a gravidade dos movimentos

de ruptura aparente

esconderijos nichos bordões o semblante

lançado à revelia do outro e uma

nova tentação intencional um rasgo

de destreza licitado ante o esforço não pactuado

antes uma denominação de regra

transitada na ponta dos pés

e agora todos os gatilhos armados para o susto

avoamentos o corpo provisório

ante o aspecto imprevisto do giro fora da lei

a evolução de uma luminosidade fria indo

ao intenso do fôlego

resumia dentro de um pensamento relatos fragmentários

elipses recortes descartes recessos

com que montava sua aura de bondade

inconteste afundada num coração pequenino

feito um relógio frágil desfizera-se

em incontáveis pontos a estralar

os últimos segundos antes do colapso

 

 

UM CORPO NO TEMPO

repentino

o tempo deságua sua

visceral plenitude

resignadamente

convexo cava ininterruptas

reflexões

sem reticências

sem retóricas

nem pontos de interrogação

o tempo é a

soma de fragmentários

momentos

 

 

PRETÉRITO INCERTO

a qualquer momento

transição

desabamento sobre outra

probabilidade apocalíptica

nada se encerra

por completa interpretação embora

pedra sobre pedra

os corpos coincidam

com a extinção e

ainda haverá alguém

nalguma gruta a

reescrever reminiscências

apócrifas

por linhas tontas

em língua morta

 

 

PRESENÇA ARTICULADA

em quatro linhas se

dedica a revelar a apoteótica

aparição a disciplina

da continuidade é

pertencer como necessidade

real da existência

um corpo dentro do cenário

orgânico se assume

a presença articulada do explícito

sugere no abdômen

uma vistosa tatuagem

 

  

O DESENHO DE UMA CORUJA

desenhar na pálpebra

uma coruja

sair pela culatra

um tiro da cartola

coelhos lenços bengalas

um proscrito

da magia de mim mesmo

dou asas ao que quero

:

uma coruja na pálpebra

atenta contra a noite rasante

mergulha

trajetória cujo raio

descreve a agudeza do movimento

no momento em que

o corpo cai de si

 

 

ROLETA CLANDESTINA

cai um corpo

atrás da ventania

dois edifícios no cristalino

do olho a alma defenestrada

é vã

as cores são inventadas

no momento

em que as coisas

sobressaem o corpo é

um dado apenas

na roleta clandestina

dos fatos de onde

cai de forma infinita


 

 

 

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