GRÃOS  

esmiuçar a pele

pelo secreto toque de

acarinhar sem

a presença do outro

o amor

perfumado impregna o olhar

na distante correnteza

que se perpetua

na saudade

depois é

só juntar os grãos

e reformular a esperança

 

 

FRIVOLIDADE

na areia frívola esperava mais de ti

mais que uma sessão e meia de sexo

mais que uma sucessão de delirante gozo

mais que uma eufêmica expressão

mas o cartaz do outro lado da rua

em frente à tua janela não seria a razão

elucidante nem ao menos um sinal

de martirizada culpa grafitada

sobre a implacável cal

veio enfim das escavações do tédio

a dissonante exclamação de que

a frivolidade dos grãos contaminou

o suor dos teus poros interrompeu

o delírio do teu gozo e aquele fogo

que ardia em ti nunca mais se acendeu

 

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